estudos

Pq História? Um dos motivos (quase torpes)

13:00

Comecei um curso para progressão no cargo público. 120 horas, e tem que ter haver com a minha área, o conteúdo tem que ser relevante.

Escolhi um que parece bem interessante, de serviço de referência e curadoria digital. Montagem de plataforma, consumo de conteúdo, colaboração virtual. Tudo que tem muito haver com o consumo de informações atual - e, possivelmente, futuro também.

É legal? É. É interessante, pode ampliar o uso das coisas, melhorar o acesso à informação, e tals. Mas eu NÃO GOSTO de trabalhar com virtualização / digitalização, #prontofalei.

Não, não tenho saco, nem paciência, nem nasci na "era da internet". Atendo o público via e-mail, acho importante termos redes sociais para contato, devíamos ter um "Ask a librarian" em todo horário de trabalho... Sei que a digitalização dos documentos (pdf, mobi, epub) ajuda muito, aumenta o acesso, e blablablá. Mas eu sou atrasada e devia ter nascido 55 anos antes: eu gosto de trabalhar com papel, com pessoas, com público. Na verdade, eu gosto de não ter que pensar em sistemas de informação. Eu queria não precisar me preocupar com a parte "informatizada" da coisa.

Mas ser bibliotecária hoje é isso. É pensar em mudança de suporte, epub, pdf, assinatura digital de livros, compartilhamento, licenças... informação, e não livros. Eu gosto muito do meu trabalho, mas vou acabar defasando, vou acabar sendo uma bibliotecária velha que reclama do mundo atual e vira estereótipo. Uma merda, isso. Não tenho facebook, quase não mexo no linkedin, e mal uso o instagram. Não conheço plataformas de compartilhamento como deveria - culpa minha e dos engessamentos das públicas, que não me deixam usar empregar esses recursos  (não sem passar por 355 reuniões com 942 setores), de qualquer forma (assunto loooongo).

A História me possibilita trabalhar com um assunto que eu adoro (análises históricas, compreensão da formação da sociedade e do pensamento), sem ter que me preocupar necessariamente com a parte tecnológica. A tecnologia vira um apoio, não o objeto de estudo como base informacional. Eu uso as tais bases, e é bom conhecê-las pelo que disponibilizam... mas eu não preciso saber e pensar o sistema. 

Eu não sei se quero encarar as "mudanças-tecnológicas-de-informação" como objetivo e problema profissional. E se eu não quero, só mudando de área, porque isso é uma realidade nas bibliotecas. Eu critico a forma como a geração-facebook trata as coisas, mas não terei como fugir dela - nem da tal geração, nem da mudança do tratamento informacional com o tempo. A modificação do conceito de privacidade, as diferenças no consumo informacional, na apreciação dos filtros, etc.

Eu posso até estar errada, mas acho que a História, meu sonho de menina, ser paga para estudar e analisar a História, é também uma porta de fuga, que me permitirá não me preocupar com a futurologia, ao menos não na minha geração de historiadora, ainda. Feio pensar assim, né? Mas não posso negar que faz parte dos meus motivos, sim.


filosofia de buteco

Pensamento rapidinho #1

03:16

Eu tento me preocupar com coisas minhas: com minha formação complementar, com a possibilidade de melhorar profissionalmente; com as revisões dos textos do marido e com comprar minhas plantinhas para deixar a sala mais aconchegante.

Aí você abre o jornal e se depara com notícias como "Brasil volta ao mapa da fome" e ainda "Bombas no estádio em dia de jogo ferem trocentos" e "Presidente babaca dos EUA não liga para os estragos do clima".

Eu não sei vocês, mas me sinto fútil em minhas preocupações primeiras, além de extremamente desanimada em fazer qualquer coisa de útil em um mundo desses...

mudança

Celular: uma relação de amor (pouco) e ódio (suficiente)

07:27

Segunda passada eu taquei meu celular na parede. Marido olhou para mim e me lembrou que ele custou R$500 - e isso porque procuramos o mais barato possível com o mínimo de configurações utilizáveis e uma marca minimamente conhecida.

Eu estava olhando algo (possivelmente o instagram, que descobri que utiliza mas de 5/6 do meu pacote de dados normal), e me deu uma nhãnha, um nervoso...

Nervoso desse aparelhinho que eu levo para qualquer lugar, que está comigo all the time, que está quase sempre no meu raio de visão; parece o controle remoto do filme Clic: mesmo quando eu quero jogar fora ele reaparece grudado aos meus dedos. Nervoso de ter aquele tique em que você fica desbloqueando a tela principal só porque não tem o que fazer, é como se ele tivesse substituído o cigarro na minha vida (eu fumava muito especialmente quando não tinha "nada para fazer"). Nervoso de falar a cada semana "vou usar menos esse troço" e falhar miseravelmente.

Não que ele seja o culpado, pelo contrário! Eu sei que veio pra facilitar nossas vidas, e tals. São poucas as necessidades preementes que tenho dele, mas são fortes: token do banco para realizar transações financeiras; whatsapp, especialmente para falar com minha mãe e com minha sobrinha; e... e... ok, era isso.

Então as necessidades não são tão grandes assim, né?

Eu tirei o spotify, youtube e outros serviços semelhantes do aparelho, porque gastavam muita memória, muita bateria, e ainda me mantinham presa ao virtual. Ouvir música o tempo todo, prestando atenção, me tira tempo de leitura na rua. Eu não vejo vídeos no aparelhinho, nunca nem pensei em instalar netflix. Instagram é o problema: eu tiro, sinto falta de postar e responder aos coleguinhas e amigos, instalo de novo, perco tempo, tiro...

Mesmo minhas "necessidades" eu não uso o tempo todo - o whats até é um aplicativo para mensagens instantâneas, para serem respondidas brevemente; mas o banco, em geral, eu posso programar o horário de uso, não efetuar transações fora de casa - e se precisar disso, há os 24 horas por aí.

Então porque tacar o telefone na parede, para que descontar nele - e ainda ter que pagar por outro mais adiante?

Ele me oprime, #prontofalei.

Eu me sinto oprimida pelo meu celular. É isso aí.

Eu não quero mexer nele, mas sinto como se ele tivesse alguma fonte inesgotável de informações ao alcance da minha mão. Como fazer para plantar suculentas? Tá lá. Deixa eu ver um tutorial de como fazer tricô de malha, peraí. O que tem passando hoje nos cinemas de Curitiba? Só um momento que eu vou ver. Todas essas possibilidades são maravilhosas - o problema é que ficam apenas nas possibilidades. Eu NÃO VOU plantar suculentas hoje. Eu NÃO VOU  fazer tricô agora, nem tenho o material. Eu NÃO VOU ao cinema, que tô achando caro e não vale a pena. Então a única serventia de ficar vendo todo esse mundo de delícias numa telinha de cinco polegadas é gastar todo meu tempo livre, e acabar não usando ele para coisas factíveis, como ler, cozinhar o que tá na geladeira, escrever um pouco, ver um filme, ficar com meus cachorros, ou até mesmo só contemplar a vida.

Eu estou pensando como fazer com esse aparelhinho maldito. Tem grupos de trabalho, gente que fala comigo e precisa de resposta. Posso passar meu e-mail para o povo. Posso responder mensagens uma vez ao dia, antes de sair para o trabalho. Posso passar para as poucas pessoas que falam comigo com frequência o número do meu trabalho, em caso de emergência. Posso comprar um aparelhinho que só recebe SMS e ligações e deixar o outro em casa.

Estou pensando. E enquanto isso, ele está aqui, ao meu lado. Me vigiando. Sei que ele tá pensando "você acha que se livrar de mim, mas não vai..."

Ah, vou. Só preciso de um pouco de planejamento (e quilos de força de vontade!) :P

minha vida

Restart nº895

07:14

Acho que esse tipo de tópico tá ficando meio passado, né? Mas toda vez que eu me convenço de que eu estabilizei, cheguei em um platô, a vida vem e joga na minha cara que eu não sei de porra nenhuma!

Faz pouco mais de um mês que voltei para casa, com a perspectiva de as coisas seriam assim agora: com um pouquinho de dinheiro sobrando, gastando novamente mais do que devia com livros, pensando em passeios e viagens possíveis, e em trocar móveis e em sair para comer (ou seja, gastar dinheiro de uma forma ou de outra).

Tenho andado meio apurrinhada com algumas escolhas - feitas agora ou reflexo de algumas feitas há muito tempo - e emburrada.

E nessa segunda veio a situação que chacoalhou tudo isso. Nem era uma "notícia" não esperada, nem era uma situação que eu não achei que iria acontecer em breve (não, eu NÃO estou grávida; mudanças na vida da mulher não se resumem a isso, viu?). Mas quando chegou, eu fiquei surpresa com a força com que me fez repensar minhas opções. Repensar minha relação com o dinheiro, com a sociedade de consumo, com a quantidade de coisas que eu tenho em casa, com descartável X durável, com prazeres gratuitos, com aproveitar as coisas boas da vida.

Já faz tempo que eu leio alguns textos (para mim) transformadores (clique aqui), e que bato nas mesmas teclas: 

- dinheiro não faz minha cabeça, prefiro tempo livre
- prazeres gratuitos - ou quase - são os melhores (ler, transar, cozinhar, ver um filme, debater ideias)
- você não precisa "trabalhar com o que ama" (ó a armadilha), mas deve ter tempo livre e de qualidade para, SIM, se dedicar ao que gosta
- se você precisa de menos dinheiro pode trabalhar menos e ter mais tempo livre
- você pode sair do circo do consumo
- se você morrer amanhã, você tá feliz com sua vida hoje? ou vc vai precisar passar por uma situação horrível para mudar sua vida (acidente, doença difícil, estafa, depressão - seus ou de próximos)?

Então isso veio para me fazer repensar - de novo - as escolhas que eu tava fazendo. Meu guarda-roupas. Minha mania de comprar, geralmente coisas pequenas e bobas, ou coisas que eu consigo justificar como úteis (livros, revistas) - e quando não são coisas pra mim, são presentes para os outros. Minha forma de lidar com a comida, de comprar certas marcas por costume (e preço alto). Repensar as saídas, descobrir os locais mais baratos, as atividades culturais pela cidade. Descobrir gente interessante com quem trocar ideias.

Acho que vai ser UMA PUTA FASE. Que, inclusive, eu espero que dure. Que nessa fase possamos (marido e eu) (re)descobrir do que gostamos, o que nos faz felizes, o prazer de ter tempo livre para ouvir música, fazer música, ler, escrever, produzir conteúdo de qualidade, se exercitar. As atividades integrais (clique aqui) que nos fazem completos. 

Que venha, acho que estamos mais que prontos!

consumismo

Blablablá VEG

10:00

Dei uma passadinha no shoppis ontem, antes do horário de trabalho. Tava procurando alguma coisa gostosinha sem lactose, sem ovos, sem derivados animais - resumindo: vegano.

Passei em praticamente todas as lojinhas da praça de alimentação - e aquele shopping é praticamente SÓ praça de alimentação... - e nada.

Dei de cara com uma banquinha, tal de Fit Food, Fit Fat, sei lá, não lembro bem. Slogan: confeitaria funcional. Tá na moda, né? Sem lactose, sem glúten, mas tem ovo. O preço dos doces: os olhos da nossa cara, os meus e os seus (é, você que tá lendo aí).

Três opções veganas: Chia pudin com calda de morango, por R$13. Vai roubar outro, com R$13 eu faço mais de meio quilo dissaí (o potinho era de 50g)!
Opção dois: alguma coisa com uva e um creme amarelo que eu não entendi do que era. R$12. Potinho nível mini também.
Opção três, que eu até fiquei de olho: yogurte veg com granola. Tava bonito. Parecia gostoso. Mas era $14 GOLPINHOS.

Sério, 14.

Eu preciso urgentemente voltar ao ânimo de cozinhar em casa, puta merda...

E não, eu não comprei.

TPM

INFERN... INVERNO!!!

03:40

Pois bem, ele chegou! Trazendo rinite, dedos congelados no teclado e sinusite para dar e vender!!

[ Comentários aleatórios do dia:

Daqui a cinco dias fará um ano que minha vida virou de pernas para o ar: no dia 26/06 eu encontrei minha convocação em um e-mail abandonado.
Eu ainda tinha esperança de já estar em Curitiba quando chegasse essa época do ano, e estou!]


Dizem que o inverno serve para recolhimento, introspecção, processamento. Cara, se for assim, o meu é um 286 sem botão turbo (entendedores entenderão a piadinha infame)

Tenho andado sem vontade de escrever, sem ânimo para compartilhar, sem paciência para explicar meus pontos de vista. TPM, talvez? Sim, com certeza. Mas será só isso? Cheias de questões existenciais, cheia de perguntas sem resposta - ou com respostas difíceis, pq a gente dificulta tudo, claro.

Pq não tomar uma decisão uma única vez e pronto? Ter que ficar repensando e repisando, e reafirmando; ter que pensar o tempo todo "mas é isso mesmo que eu queria?"; ter que lidar com expectativas e frustrações.

O calendário tem razão: o inf inverno chegou mesmo.

(Que me perdoem o humor sombrio, mas isso aqui não é instagram/facebook para eu mostrar "uma vida perfeita que eu não tenho", ok?)