consumismo

Desapegar e destralhar, e a constância do exercício

14:45

Já faz anos que leio sobre minimalismo, necessidades de consumo, obsolescência programada, consumismo, materialismo, ismos. Isso quer dizer que tenho várias pseudo-opiniões formadas, mas não que eu consiga colocar as coisas em ordem prática na minha vida!

Quem trilha o minimalismo sabe que, por mais engajado que você seja em se desapegar de bens materiais inúteis que as empresas, colegas e sociedades em geral enfiam na sua cabeça que você PRECISA, as tralhas voltam. SEMPRE voltam. São os presentes de aniversário que você ganha de pessoas que gostam de você (gostam, mas não te conhecem tão bem, então te dão coisas que você nunca vai precisar/usar/querer); é aquela compra por impulso quando você estava andando no shopping na TPM; as mudanças constante de planos que fazem você "ter que ter " novas coisas para supri-las - no meu caso, diferentes hoobies e diretrizes profissionais - numa época, material para crochê de malha; depois livros de metodologia; depois cadernos para scrapbook; canetas coloridas; livros de literatura; roupas para a vida profissional que eu NÃO tenho, mas queria ter...

Em geral, eu bato na realidade quando recebo algum texto do Alex Castro, ou quando percebo que continuo em dúvida, vazia - e a conta bancária mais ainda. E quando chegam as crises de "querer jogar tudo fora", quando me sinto sufocada por 5 cadernos em cima da mesa, todos em uso mas nenhum sendo usado, quando tem livros não lidos demais - e eu entrando na Amazon e paquerando outros tantos, quando tem roupas demais no meu guarda roupa, sapatos demais, tudo demais.

E aí eu sento, de novo; destralho, de novo; jogo fora, de novo; na esperança de que DESSA VEZ eu não vou recomprar as coisas na primeira crise, na primeira mudança de planos. Posso dizer que, em geral, falho miseravelmente (mas ainda assim, tenho menos coisas do que a maioria das pessoas que conheço). E aí tem que sentar de novo, para pensar outra vez no que EU QUERO (da vida, da carreira, da profissão, jantar hoje), para ver se invisto dinheiro em algo útil e que eu não vou largar no mês seguinte por alguma outra mania que virá à galope.

Porque eu quero ler, e compartilhar o que li. Quero dividir as coisas que aprendi e acho que seriam úteis para outros - conhecimento acumulado e guardado é tão inútil quanto dinheiro de moeda antiga encontrado sob o colchão. Quero debater feminismo, racismo, preconceitos. Quero falar sobre os esquecidos dos países vizinhos, sobre nossa hispanofobia, sobre machismo. Queria ter 5 vidas para fazer tudo, falar tudo, aprender de tudo.

Então nesse momento eu estou nessa:  arrumando desculpas para me desvencilhar do que eu planejei no último mês (porque não sei se quero), pensando no que eu quero nos meses seguintes (sem saber se vou continuar querendo em médio prazo), e tentando manter minha cabeça no lugar nesse meio de caminho.

É difícil assim para todo mundo?

minha vida

Acelera... desacelera... acelera...

14:22

Toda vez que fico muito tempo parada, eu travo. Nunca fui pessoa de conseguir "fazer nada". Se estou fazendo nada, minha vida não anda.

Então toda vez que eu estou tendendo ao "nada", eu me encho de coisas a fazer. Toda vez que estou sem agenda cheia, sem preocupações, eu me preocupo. E vou enchendo a agenda paulatinamente, e com ela, tudo que isso traz.

Começou com o blog novo, e todas as ideias de dicas de estudo e apoio à pesquisa; passou para pesquisa acadêmica na minha área, que se transformou em pesquisa acadêmica em outras áreas, que se tornou um plano para um doutorado ano que vem. E veio a yoga, e a vontade de voltar para a academia. E a proposta de participar do Conselho Profissional da minha área, e assumir mais responsabilidades no trabalho.

Agora eu estou com todo o meu dia tomado: não dá tempo para escrever no blog, porque estou pesquisando coisas que não eram da minha área, e isso está me tomando muito mais tempo do que o esperado. E não vai dar para pesquisar História, nem voltar para essa graduação - e se eu voltar, vai me tomar a manhã inteira, todos os dias. Eu não sei se quero ser "pesquisadora doutora" em outra área, ou se quero ter outro título de graduação, ou se isso serve mais para meu ego que para meu cérebro, e eu posso simplesmente ler sobre as coisas que me interessam sem ter outro vínculo formal com qualquer coisa.

É uma loucura não saber o que eu quero, o que me cabe, o que me basta. Eu quero viver tranquila, bibliotecária, com alguns projetos legais na área - nada que ocupe a totalidade do meu tempo - enquanto vivo passeando pelos parques, assistindo filmes, lendo literatura boa, cozinhando e comendo bem?
Ou eu quero fazer doutorado, ocupar meu tempo lendo técnico, pesquisando, escrevendo, dividindo e disseminando, tendo tempo de qualidade com meu marido, mas deixando obviamente outras coisas de lado?
Quero guardar dinheiro para viajar e viajar sempre, ou quero gastar dinheiro sempre, com coisas menores e que me fazem felizes (pizza no Pizza, cafés curitibanos, restaurantes vegs deliciosos)?

Não sei.

E isso me faz trocar de planos a cada dois meses, enfiar a cabeça em projetos que não sei se pretendo levar adiante, mas que no momento fazem muito sentido; me faz perder/ganhar tempo, replanejando todos os cinco anos adiante, quando na verdade, o prática não dura nem até o final da estação. Aí eu entro no loop acelera (faz tudo, vira pesquisadora-doutora-acadêmica) - desacelera (você nasceu para bicho grilo, faz yoga, lê na rede, cuida das plantinhas) - acelera de novo - desacelera outra vez.

O problema é que assim eu acabo não concretizando nada, além de mudanças de planos não-lineares por anos a fio, e sem projetos completados eu não vejo o resultado de nada que decidi fazer.

Difícil, beibe, difícil...

estudos

Pesquisadora, eu?

05:56

Racionalizando a vida.

Estou enrolada nas pesquisas que me propus. Já catei bibliografia, já arrumei nas pastinhas, já montei mais ou menos uma estrutura para a ordem dos textos no referencial teórico.

Agora eu preciso ler, e começar a encaixar as coisas. Cadê que rola?

Já entrei no instagram umas 15 vezes, mesmo não tendo postado nada lá essa semana (estou sem imaginação sobre o que postar, a vida tá corrida, e eu não quero parar para pensar nisso). Já entrei no facebook outras tantas vezes, para fazer nada mesmo, porque eu não uso o troço pra quase nada.

Fico pensando: o que faz de um pesquisador, um pesquisador? O que eu posso fazer para saber que "virei pesquisadora"? O que eu estou pesquisando, é mesmo o que eu queria estar lendo? Como saber quando seu status de pesquisadora chegar? Você É pesquisadora ou ESTÁ pesquisadora? Pq isso é importante?

Eu não sei.

Fazer pesquisa para ajudar "o mundo" ou para responder o impulso egóico de "saber que sabe" alguma coisa? Fazer pesquisa para ocupar o tempo? Não tem nada melhor para fazer não? É 8 ou 80, ou todo o tempo livre é tomado pela pesquisa, por possibilidade de doutorado, etc., ou você tem tempo demais sobrando e fica se sentindo mal por ter espaço livre não-produtivo.

Não estou conseguindo me concentrar no que eu deveria estar fazendo. Detalhe: tirei a folga que eu tinha sobrando HOJE, para tentar adiantar o artigo que tenho que entregar em UMA SEMANA. E não tá rolando - como sempre (ou como nunca, né?).

E aí, o que fazer? O que fazer quando o cérebro não quer ajudar?

quero!

Querências #9

17:26

(que faz tempo que eu "não quero nada" aqui no bloguinho!)

- manter as prioridades que eu defini, sem ter que repensá-las 790 vezes todas as manhãs

- estudar inglês todos os dias de manhã

- manter a prática de yoga mesmo quando o mundo parecer que está desabando

- meditar todos os dias, nem que sejam cinco minutos, todos os dias

- manter o equilíbrio (eu tendo a perdê-lo muito rápido, especialmente quando arrumo algo "absorvente" para fazer; isso de pesquisa acadêmica vai me deixar maluca, que eu já estou prevendo...)

- lembrar de agradecer, todos os dias

Olhando agora, acho que minhas querências ficaram mais simples. Isso me deixa feliz!

estudos

As coisas que me deixam maluca porque eu quero saber mais #1

17:19

- ler todos os livros do Bauman <3

- entender minimamente as teorias de habitus, capital social e capital cultural de Bourdieu (estudei um pouco, mas sinto uma lacuna enorme!)

- escolher o que estudar pelos próximos dois ou três anos - depois eu posso mudar de interesse. O que não dá é ficar pulando de um galho para o outro, como agora

- ler os livros das mulheres que separei e quero muito: Xinran e Svetlana

- ler os livros da História do Conhecimento, de Peter Burke

- aprender inglês

- aprender espanhol

- aprender francês

- ler mais autoras feministas

- História da América Latina

- pensar em um tema decente para o doutorado, talvez juntando alguns assuntos que eu já conheça: TICs, gênero (preciso ler mais sobre isso) impacto social

minha vida

Hoje, 20/09

06:17

Coisas que estão na minha cabeça AGORA:

- eu não quero ser a pessoa que julga todo mundo o tempo todo. Fato: ontem vi um garoto de uns 4 anos fazendo birra num carrinho de bebê. Na hora, a frase: "que absurdo!!!". Dois segundos depois, o pensamento : "PQ?" Eu não sei nada da vida deles, não sei porque ele estava em um carrinho, não sei se era manha, se estava incomodado com alguma coisa, se estava doente... Se eu tento tanto não julgar em outros aspectos, porque não tentar nesses mais simples também?

- Estou sem saber por onde começar, de novo. Leio o texto que encontrei, mesmo sem ninguém ter falado nada? Não leio? Planejo o próximo mês, de novo, mesmo sabendo que possivelmente não vou cumprir nada, porque eu sempre desisto do que planejei? Leio literatura? Faço crochê de malha?

- Estou feliz com a decisão de voltar para a pesquisa, e mais feliz ainda por estar me inserindo em um grupo, mas... era isso mesmo que eu queria pesquisar, ou foi só o senso de oportunidade? O assunto me atrai, mas eu tenho cacife para segurar isso? Vale começar por ali e depois catar alguma outra coisa para fazer?

- O que eu estou fazendo / deixando de fazer no automático, e por que isso não é bom?

- Quanto mais eu leio sobre simplificar, e tento, mais eu me vejo enrolada por situações (dentro e fora do meu controle) que me lembram que simplificar não é só eliminar excessos físicos. E esse monte de lixos e ansiedades que fico guardando na cabeça? Li na Vida Simples ontem, e é bom gravar: prosperidade não é o quanto você acumula, o quanto você tem, o quanto você faz; tem haver também com o quanto você se sente feliz, o quanto você está satisfeito.

- A vontade de comer direito e comidas gostosas por vezes é menor do que minha preguiça em planejar o cardápio. Quase sempre, eu diria :P

- Eu vou terminar de escrever esse texto, e vou voltar para minha dúvida: o que fazer agora? Terminar de atualizar as postagens antigas do blog? Ler os artigos que separei? Arrumar a pasta com os papeis? Fuxicar a vida alheia no instagram (vendo tudo o que as pessoas fazem, dizendo que posso/devia fazer também, e quando dar por mim ver que não tempo de fazer foi nada)?

Êta que nóix complica tudo que é simples, viu?

estudos

Search & Dest.... não, péra!

04:52

Já falei isso aqui umas trocentas vezes, e vou falar de novo:

Sempre que eu acho que terminei de acertar as coisas, de planejar, e estou a ponto de colocar em prática, vem uma onda gigante e tira tudo do lugar.

Tudo bem que dessa vez eu pedi: eu havia planejado uns tempos de paz e sossego, de leituras recreativas e postagens no blog, um pouco de atenção ao meu trabalho na biblioteca... ano que vem, láaa em 2018, voltar ao curso de História, e tals..

"Mas, antes de desistir dos outros planos", pensei, "uma última tentativa com pesquisa e área acadêmica, marcar um café com a professora fulana... ela nunca marca comigo mesmo, está sempre muito ocupada, não vai dar em nada e minha consciência fica tranquila em ter tentado".

Rá-rá.

A professora Fulana não só foi se encontrar comigo, como ouviu meus pensamentos e ideias, me ouviu falando do meu processo acadêmico - que eu só escrevo na véspera e sobre pressão, que eu preciso de metas e prazos (senão não faço nada), que eu nunca publiquei NADA, mesmo tendo terminado o mestrado... e ao invés de falar "olha, vou pensar, seu perfil não é bem o que eu procuro..." ela respondeu "A-GO-RA! Tenho vários projetos em que você pode participar, posso te apresentar à professora Beltrana, ela pode te orientar no doutorado mais pra frente..."

Viu, a confusão em que me meti?? Ela fez o que eu mais temia: me deu corda!!

Agora é re-re-reorganizar as coisas, mudar de novo todos os meus planejamentos, re-re-rever as prioridades, para fazer essas atividades (extremamente absorventes!) caberem no meu dia. Algum coisa vai acabar ficando para trás, mas eu vou ter que conviver com isso.

Não vou dizer que estou minimamente triste com isso, pelo contrário! Estou muito satisfeita, e ansiosa! Participar de um grupo de pesquisa de verdade, de projetos que irão para a frente, com profissionais mais do que capacitados... isso me deixa muuuito feliz! Eu só não sei (ainda) como lidar com todas essas mudanças sem enfiar os pés pelas mãos (essa frase também é bastante comum, né?)!

Veremos!