loucuras

Relacionamentos

10:02

(assista ao filme "Complicações do amor", na Netflix. Não, não é comédia romântica. E pode fuder sua cabeça)

Como é que funciona relacionamento?

Assim, xô explicar o que tá na minha cabeça.

Existe amizade. Existe amor. Existe sexo. Existe romance. São independentes, e podem ser combinados de diversas formas.

Quando você tem um relacionamento longo, quando você pretende ficar com uma pessoa o tempo que der (para sempre, até que a morte os separe, ou até pelo menos a chegada da menopausa), você espera que seu relacionamento seja uma junção devidamente equilibrada de todos os fatores acima descritos. Você quer que haja amizade e respeito, gargalhadas e papo; você quer que exista amor, aquele sentimento levemente incompreendido e absolutamente sem sentido que faz aquela pessoa ser diferente das demais; você quer que exista romance, se sentir desejado, cuidado, quer a mimetização dos filmes de hollywood; e você obviamente quer sexo, bom, gostoso, sentir tesão, saber que a pessoa sente tesão por você.

Mas a vida não é perfeita, o mundo não é perfeito, nós não somos perfeitos, e manter o equilíbrio entre todos esses fatores é quase impossível, por diversos motivos. Primeiro porque somos PESSOAS, com necessidades diferentes. É como se cada um tivesse um coeficiente de maximização dessa fórmula aí, e esse coeficiente não necessariamente bate com quem está ao seu lado. A pessoa que está com você pode se importar mais com amizade que com amor, com romance que com sexo, com amor do que com amizade.

Depois, as coisas mudam com o tempo, de forma muito rápida ou cíclica. Tem épocas em que existe mais tesão, e assim mais sexo; época em que você precisa mais de um amigo para te acolher do que um amor para dar atenção. Tem épocas (geralmente do mês - oi, TPM) em que você precisa mais romance que de amizade e sexo.

Ainda tem a vida, essa sacana. Às vezes você tá bem e só consegue pensar em sacanagens boas, mas a pessoa com você tá passando por uma fase de merda e não consegue nem pensar nisso. Às vezes é o contrário. Tem épocas (dias? semanas? meses?) em que tudo o que você quer é chegar em casa e ficar quietinho fingindo que não existe, e não ter que dar atenção à terceiros. Tem época que a camaradagem é o que você precisa, um ombro amigo, alguém para conversar.

Ou seja, é muito complexo.

E quando você tem que analisar isso sob a ótica de ANOS, é ainda mais complicado. 

Como manter todos esses fatores em equilíbrio? Existe uma fórmula mínima comum de combinação entre eles que satisfaça a todos?

Não. Sinto informar, mas não existe.

Há os assexuados, os galinhas, os tarados. Há quem valorize mais as gargalhadas, há quem valorize mais a responsabilidade, o potencial romântico do casal.

Como a gente faz para pesar o que tá acontecendo sem algum distanciamento crítico? Como saber se uma maré sem sexo é um problema pontual, e as coisas vão voltar ao "normal" (o que é normal?) a qualquer momento, ou quando as coisas "desandaram" e podem nunca mais corresponder ao que você tem por "ideal"? Como saber se você vai voltar a achar graça no que a pessoa está falando, nas piadas que está fazendo - se a pessoa perdeu a graça para você ou se você está achando as coisas sem graça por motivos diversos? Como entender se mudou a outra pessoa ou mudou você? Como descobrir se você consegue conviver com as mudanças? Como saber se o que você está esperando dessa pessoa é válido? Que você não está dando murro em ponta de faca?

Se você continua absolutamente ligada em seu relacionamento, mas percebe que a pessoa não, o que você faz? Você não pode obrigar a pessoa a se sentir daquela forma novamente. Você separa e deixa espaço para aparecer alguém que você acha que supostamente vai preencher essa lacuna? E se for o contrário? E se a pessoa continua gamada, apaixonada, e você percebe que não? É mais fácil quem não ama mais sair desse relacionamento, ou é mais fácil a pessoa que ama mais se sentir desvalorizada e ir embora?

Se o seu relacionamento tem 3 desses 4 fatores, é suficiente? Se ele tem muito de um fator e menos do outro, é válido? Se tem muito sexo, mas não tem amor? Se tem muita amizade e pouco sexo? Se tem muito sexo, mas pouco romance? Se tem muito amor, mas romance nenhum? Se tem amizade, amor e romance, mas não tem sexo? Se tem Sexo, amor e romance, mas não tem amizade? E se em um momento da vida tem muito de uma coisa e menos de outra, como saber se dá para esperar reequilibrar? Ou que o melhor é deixar ir?

...

(como disse, assista ao filme. E se você não ficar com tudo isso na cabeça uns dias depois, eu te dou os parabéns - e me recolho à minha maluquice)

quote

Quote: relação tempo-produção-tecnologia

21:26

"Essa quase supressão do tempo entre produção e publicação vai muito além dos artigos científicos: atingiu os hábitos mais corriqueiros. É difícil imaginar qualquer um de nós, mesmo os mais velhos, passando muito tempo longe dos emails, dos aplicativos de conversa, das redes sociais. E os mais resistentes a isso arriscam sentir-se um pouco fora do contemporâneo. Quer dizer, o fato de que quase todo mundo - no meio acadêmico e fora dele - acostumou-se a ter computador e celular à mão altera profundamente as relações pessoais, além de alterar a forma de fazer ciência. Altera também a nossa ideia de escrita, de comunicação, de sociabilidade e até do que imaginamos como pessoalidade mais íntima."

Alcir Pécora, "A crise e as crises da Universidade Pública". Jornal Rascunho, n.221, set. 2018. (p.25)

trabalho

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come?

21:02

Hoje fui conversar com uma pessoa de outro setor, com quem pretendo elaborar alguns projetos. Ela também trabalhou quase a vida toda na iniciativa privada, e eu queria saber as opiniões dela sobre a instituição, sobre como é trabalhar lá, sobre como ela trabalha.

Conclusões a que cheguei:

- o problema não são os problemas da área, são as PESSOAS. Tem muita inveja, muita gente parada, muita gente que não faz questão de chegar a um acordo, muitas gente que prefere te atrapalhar a deixar você fazer, gente que não quer fazer mas também não quer ver ninguém fazendo.

- eu pensei em mudar de área, em estudar outras coisas, mas eu vou encontrar PESSOAS em qualquer lugar.
     - Pessoas-pesquisadoras que não gostam do que você estuda como pesquisador.
   - Pessoas-pesquisadoras que disputam bolsas e produtividade com você - o problema não é a disputa, que poderia até ser saudável, te fazendo se esforçar mais; o problema é que a disputa muitas vezes é desleal, envolvendo puxadas de tapetes, fofocas, favorecimentos ilícitos.
   - Pessoas-pares que não gostam de ver você fazendo o que faz (porque ver alguém trabalhando pode incomodar tanto a certos indivíduos?).
    - Pessoas-pares que não concordam com o seu pensamento, então se não for do jeito delas, não vai ser.
    - Pessoas-pares que mal fazem seu próprio trabalho e querem se meter no do coleguinha - se cada um fizesse o seu, já seria tão mais fácil, não?
   - Pessoas-clientes que querem o resultado do seu trabalho, mas não respeitam seu processo de criação.
     - Pessoas clientes mau-educadas, que chegam descontando tudo em você.

- não há no que trabalhar onde você não vá se deparar com alguma das situações descritas acima; imagino que hajam locais com MENOS problemas desses diariamente/cumulativamente, mas achá-los é mais uma questão de sorte que de esforço.

- posso tentar controlar o que me incomoda, mas não posso tentar mudar o coleguinha. É mais fácil me treinar para parar de me importar/estressar com ele. Mas até onde isso funciona?

- coisas que eu gostaria de fazer se pudesse (ou quisesse? ou me esforçasse? ou realmente decidisse?): ser pesquisadora na área de História; trabalhar em uma biblioteca mais agradável (com colegas mais esforçados/ de pesquisa/ onde eu seja a única bibliotecária, rsrs); trabalhar na área de ciências sociais; docente de graduação; bibliotecária de biblioteca pública interessada na comunidade; ministrar aulas gratuitas em cursinhos solidários (mas aí não é profissão, é extra); trabalhar com EaD (produção de conteúdo, disseminação de conhecimento - o objetivo aqui é fazer a informação chegar para o maior número de pessoas possível, e tentar mudar a vida delas com isso!)

- talvez não adiante eu mudar de área, se toda a Academia é do mesmo jeito. Talvez não adiante eu sonhar em trabalhar junto a um setor que é boicotado pelos colegas que se incomodam/ que têm medo/ que não valorizam nada.

- mas eu quero ver resultados ou quero agradar às pessoas? eu quero ver resultados ou quero que os coleguinhas batam palmas? Até onde eu consigo ir em algum lugar se não tiver apoio de ninguém (essa resposta é mais fácil: até onde as pernas me levam) - mas pior: até onde consigo ir se tiverem muitos lutando contra - por birra, por pirraça, por sacanagem?

Resumindo: adianta correr, ou o bicho vai pegar e comer do mesmo jeito?

érrejota

MNRJ

21:10

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2018/09/02/incendio-atinge-a-quinta-da-boa-vista-rio.ghtml

Tipo de notícias que me deixa extremamente triste, a ponto de chorar.

O Museu Nacional do Rio de Janeiro guardava incríveis relíquias, como nosso dinossauro brasileiro, a primeira ossada de mulher do país (Luzia). Muita história (já pouco valorizada no país). Múmias peruanas, material trazido de Portugal... 

Uma tristeza profunda, de verdade, ver o fogo consumindo tudo, consumindo o trabalho de tanta gente, por tanto tempo. Não são coisas que podemos coletar de novo, achar outra vez para substituir.

Apenas triste.

minha vida

7 dias sem instagram

20:56

"- Oi gente, meu nome é Paulla e eu já estou há 7 dias sem instagram
- Ooooi Paullaaa"

O que posso dizer sobre essa última semana? No domingo eu desativei meus dois instagram's, depois de assumir para mim mesma que eles só pioram minha ansiedade. De lá para cá, posso elencar:

- eu peguei o celular uma dezena de vezes com intenção de olhar a vida alheia pelo insta

- eu li bem mais do que em períodos de acesso irrestrito

- eu fiquei entrando no facebook quando podia, apesar de lá eu não ficar vendo a vida alheia, mas páginas como a Quebrando o Tabu ou Obras literárias com memes genuinamente brasileiros

- eu me peguei parando para "tirar fotos" com intenção de compartilhar, diversas vezes: dos meus pés com meu calçado Ahimsa, da biblioteca pública, de alguma comida. E dois segundos depois eu lembro "Ah, ok"; e mais dois eu penso "mas pq raios eu devia compartilhar uma foto do sapato que estou usando para as pessoas verem? para aplaudirem, que é legal, bonito e veg? para receber elogios para meu bom gosto? a quem interessa que sapato eu tô usando, além das empresas de publicidade?"

- aqueles pensamentos que vemos muitas pessoas tendo: se você não compartilhou, vc fez? Se a pessoa viajou, passeou, comeu comida típica... mas não compartilhou nem uma foto de asa de avião, prato de comida ou foto em local turístico... ela foi? A quem ela precisa provar que sim? 

- tenho repensado minha relação com as mídias sociais, sobre o que eu acho que é "estar por dentro", para não ficar obsoleta e ultrapassada, e o que é deixar minha vida ser controlada por coisas que eu (veja bem, disse EU, ou seja é uma opinião, impessoal e intransferível) não considero importantes

- então, os pensamentos: se eu me viro "bem" sem instagram, posso ficar sem linkedin? Sem Research Gate? Sem Academia.edu? Posso mantê-los só para o caso de eu precisar na biblioteca, mas não me preocupar com eles?

- O quanto de tempo eu gasto olhando, atualizando, pensando, fofocando, lendo nas redes sociais, quando eu queria mesmo era ler a tonelada de livros que eu tenho em casa? "Ah, mas é só vc se controlar, né?" Bem, como diria um escritor que eu gosto muito, "se eu tivesse força de caráter para fazer isso, eu não precisaria procurar ajuda externa, né?".

Vamos ver, entrando na segunda semana agora. Alguns poucos perfis eu sinto falta real de acompanhar, e ainda entro ocasionalmente, pelo Google, para dar uma olhada. Mas até sobre esses eu estou repensando: o que me agregam - se me agregam alguma coisa?

Conclusões prévias: definitivamente eu li mais; definitivamente eu estive menos ansiosa; não fiquei pensando no que as pessoas estão fazendo e eu não. Acho que só tem pontos positivos.

trabalho

Sobre o trabalho, pensamentos

08:38

[filosofando na sexta-feira, às 8:34 da manhã; a alma da pessoa nem acordou direito, mas a cabeça já tá trabalhando como se fosse correr uma maratona - ninguém merece]

Recebi ontem à noite o resultado de um resumo que enviei para um congresso: aceito (yey!)!

Isso me deixou felizinha, me deu um gás; mas não posso dizer que é o motivo da minha "felicidade" de ontem. Quando eu cheguei ao trabalho, no início da tarde, eu já estava com uma diretriz na cabeça: fazer alguma coisa. Ocupar minha cabeça com as coisas que devem ser feitas MESMO, e eu não consigo pensar quando estou tentando resolver os problemas do mundo; aqueles relatórios que nunca saem, as estatísticas que nunca estão atualizadas...

É muito fácil a gente abrir o primeiro livro de "autoajuda" profissional e tentar colocar em prática tudo que está escrito, sem nem ao menos notar se aquilo te serve. Ou ler vários desses títulos e misturar tudo: "Pai rico, pai que mexeu no queijo do monge executivo".

A verdade é que, mesmo estando MUITO irritada com a forma como as coisas estão, eu estou aprendendo, e mais sobre mim do que sobre os outros. A forma como eu reajo às adversidades, como eu formo meus pensamentos, quais são minhas primeiras reações às coisas, como me deixo influenciar por fatores externos. Trabalhar em empresa pública, concursada, pode ser um porre, mas tem um vantagem: exatamente porque eu não vou sair dali, tenho um tempo mais longo para observar minhas reações. Qualquer coisa ali é de longo prazo, eu não preciso ter medo de sair na semana que vem, então eu posso olhar minhas reações com mais tranquilidade.

É claro que eu preciso estar aberta para isso. Muitas vezes eu fico apenas absolutamente cega de raiva e irritação, e não consigo perceber os motivos. E sim, algumas coisas são culpa minha; apesar de muito do que reclamo ter base no sistema, há os pontos em que a culpada exclusiva sou eu.

A ansiedade de ver tudo acontecendo, de querer tudo para AGORA, me estressa, me cansa, me deprime. Eu quero que o sistema mude AGORA, que a cabeça das pessoas que trabalham comigo se atualize AGORA, que tudo o que eu quero propor de mudanças seja aceito e posto em prática AGORA. E o trabalho, especialmente em instituição pública, é uma construção diária e paulatina, onde você tem que ir comendo pelas beiradas all the time. Não é NEM UM POUCO meu perfil... mas eu preciso aprender com isso.

Não adianta só passar raiva, chorar e jogar a toalha. A dor é certa, mas o sofrimento é opcional, já dizia o Buda - e não adianta sentir a dor sem aprender nada com isso, acho. Um pouco de autoanálise é bom pra todo mundo.

A pergunta que estou respondendo é: o que eu posso aprender com essa situação (de merda) em que me enfio profissionalmente?

1. as coisas não serão sempre do meu jeito ou do jeito que eu quero

2. eu trabalho com pessoas, e tudo o que isso trás: opiniões diferentes, estilos diferentes, gente que fala demais, gente que não fala nunca, gente que não quer fazer nada, gente que só faz o seu, gente que quer fazer coisas - mas que não batem com o que eu proponho

3. se eu acho que minha ideia é boa e embasada, eu preciso vendê-la - e esperar o tempo de maturação dela, tem gente que não gosta de mudanças e vai ter dificuldade com isso

4. eu preciso acertar minha postura diante das coisas que acontecem; sempre fui muito passional, exclamo muito, falo muito... e às vezes pensar dois minutos antes de falar pode me resguardar de muitos problemas

5. eu NÃO POSSO emitir certas opiniões na frente de certas pessoas

6. ética profissional acima de tudo

Estou tirando mais algumas conclusões, mas elas não vêm com facilidade. É difícil assumir alguns pontos de nossa personalidade, mas é  mais difícil ainda aceitar os fatores externos. Porque os internos nós podemos nos esforçar para mudar, mas os externos precisamos nos esforçar para aceitar, e ver o que vamos fazer com esses limões que a vida dá ocasionalmente.


minha vida

"Pobre não pode ter opção"

10:06

- prestar o doutorado;

- fazer uma pós-graduação em EAD;

- voltar para a faculdade de História;

- me dedicar ao CRB (God knows o quanto estamos precisando de um gás lá);

- não fazer nada disso aí em cima e ler todos os livros que tenho pendentes em casa;

- pedir exoneração e me fuder na área privada de novo;

- continuar onde estou, morrendo aos pouquinhos;

- estudar para concursos de novo, e começar a prestar todos que aparecerem (nunca tive alma de concurseira, povo...).

São muitas opções para resolver alguns poucos - mas importantes - problemas. E sabe como pobre é, né? Pobre não pode ter opção. É só ver nosso prato nos self-services da vida: tem frango, carne, peixe, ovo, um pouquinho de cada coisa, tudo o que não se come em casa :P